O ano em que a Terra parou

Fonte: Revista Voto 

O mundo que conhecíamos não existe mais. A pandemia da Covid -19 trouxe mudanças de paradigmas e perspectivas e nos fez revisar conceitos. Houve impactos severos nas atividades produtivas e comerciais, nos serviços e no consumo. Se uma definição sintetiza 2020, é: “o ano em que a Terra parou”.

Momentos históricos de grande relevância mundial geram incertezas. Muitos sucumbiram no meio do caminho por falta de adaptação, resiliência, foco e agilidade. O cenário exigiu abraçar as dificuldades e colocar nossa força intelectual à disposição dos clientes e da sociedade empresarial. Uma forte rotina de trocas foi firmada, e o atendimento multidisciplinar trouxe segurança, eficiência e tranquilidade.

O planeta nunca havia “parado” dessa forma. Colheremos os frutos de permanecer em casa por tanto tempo nos próximos anos. A saúde da população é o bem maior em jogo. É inegável, contudo, que muitos desses frutos serão azedos. Certo ou errado, já não cabe mais a discussão. O legado que fica é o restabelecimento de uma nova ordem de prioridades.

O mercado rapidamente especula e se reinventa. Aos operadores do Direito, cabe identificar os gaps causados por essas mudanças. Adaptações das empresas ao Direito Digital e proteção de dados passam a ser obrigatórios. Os aconselhamentos trabalhistas serão imprescindíveis. Negociar, buscar prazos, restabelecer relações com fornecedores e prestadores de serviços passaram a ser premissas de sobrevivência para muitas corporações. O advogado deixa de ser mero coadjuvante para se tornar “solucionador” dos problemas.

Há anos, falamos que serviços jurídicos são commodities. Hoje, é necessário acrescentar agilidade para a tomada de decisões e também para corrigir a rota. A reinvenção faz parte da rotina. Mais do que nunca, será preciso ser um empreendedor jurídico, agir como dono, colocar-se no lugar do gestor e auxiliar na tomada de decisões. É hora de olhar para o negócio como empresário. Temos um enorme potencial de desenvolvimento para os próximos anos. A vida não é mais a mesma, e novas atitudes vieram para ficar.

 

Gabriele Chimelo

Advogada e sócia do escritório Scalzilli Althaus